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Os cetáceos (baleias, botos
e golfinhos) sempre despertaram o interesse e a imaginação
das pessoas e estão presentes em folclores e lendas de
várias culturas. Por centenas de anos eles tem sido alinhados
com deuses e mitos além de celebrados em obras de artes.
Golfinhos foram retratados em afrescos, mosaicos, moedas, vasos
e esculturas. Muitas culturas, tanto ancestrais quanto recentes,
reverenciam as baleias e os golfinhos acreditando que eles
sejam mensageiros de Deus.
Infelizmente, o mito em torno das baleias, botos e golfinhos
não foi suficiente para frear o instinto caçador
e dominador do homem. Durante grande parte da história,
os cetáceos foram encarados como mais um recurso natural
inesgotável, fonte de produtos valiosos para o conforto
e progresso da humanidade.
Em águas juridicionais brasileiras já foram oficialmente
registradas a presença de 44 espécies de cetáceos
(8 misticetos - representados pelas grandes baleias, que possuem
barbatanas ao invés de dentes - e 36 odontocetos - caracterizados
pelos cetáceos com dentes), representando 51,7% das espécies
em âmbito mundial. Portanto, políticas dirigidas
para sua conservação e manejo são prioritárias.
Em 21 de fevereiro de 1986, foi aprovada a primeira legislação
brasileira especialmente direcionada a proteção
dos cetáceos, ainda que incluindo apenas os odontocetos
(Nº N-011).
Em 18 de dezembro de 1987, essa legislação foi
estendida, através de uma lei federal (Nº 7643),
para todas as espécies de cetáceos garantindo
dessa forma o fim da caça comercial de baleias, sendo
o Brasil último país da América do Sul
a abandonar essa prática predatória.
Nos últimos
17 anos, nosso país vem aperfeiçoando sua política
de conservação dos cetáceos, a qual foi
possível, principalmente, através da geração
de conhecimentos advindos das pesquisas - as quais tiveram
um papel decisivo na criação de algumas legislações
específicas - e do crescimento do interesse público.
Destaca-se
também a posição do Brasil em adotar posturas
altamente conservacionaistas ao defender uso não-letal
das grandes baleias e protegê-las do risco da volta da
caça desenfreada na reuniões anuais da Comissão
Internacional da Baleia / CIB (“International Whaling
Commission” / IWC), criada em 1946 e composta por 46
países membros. O Brasil defende desde 2001 a proposta
de criação do Santuário de Baleias do Atlântico
Sul. A proposta brasileira é estabelecer um santuário
no oceano Atlântico, da linha do Equador até o limite
de 40ºS - onde começa o Santuário Antártico.
A região engloba, além do alto-mar, o litoral brasileiro
e africano. Essa proposta voltou a ser votada na 55ª Reunião
Anual da Comissão Internacional da Baleia, realizada em
junho de 2003 em Berlim, Alemanha, obtendo a maioria dos votos
a favor, mas não foi aprovada, por que não alcançau
os ¾ dos votos necessários (maioria qualificada).
A proposta obteve 24 votos a favor e 19 contra, com três
abstenções. No entanto, o Brasil insistirá na
proposta da criação do Santuário de Baleias
do Atlântico Sul e pretende reapresentá-la nas próximas
reuniões da CIB. Atualmente, existem duas grandes áreas
designadas como santuários de baleias: uma delas, criada
em 1979, localiza-se no oceano Índico e a outra, que
circunda a Antártica, foi estabelecida em 1994.
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| Tabela 1 - Cetáceos
registrados na nova Lista Nacional das Espécies
da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção |
Nome
científico |
Nome
vulgar |
Status |
Hábitat |
Distribuição |
Eubalaena australis |
Baleia-franca-do-sul |
Em Perigo |
Costeiro |
Do RS à BA |
Balaenoptera musculus |
Baleia-azul |
Criticamente em Perigo |
Oceânico |
RS,SP,RJ,BA,PB |
Balaenoptera physalus |
Baleia-fin |
Em Perigo |
Oceânico/Costeiro |
SP, RJ, BA,PB |
Balaenoptera borealis |
Baleia-sei |
Vulnerável |
Oceânico |
RS,SC,SP,RJ, ES,PE,PB,RN |
Megaptera novaeangliae |
Baleia-jubarte |
Vulnerável |
Costeiro |
Do RS ao PI, incluindo FN |
Physeter macrocephalus |
Cachalote |
Vulnerável |
Oceânico |
Do RS ao CE |
Pontoporia blainvillei |
Toninha |
Em Perigo |
Costeiro |
Do RS ao ES |
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Siglas: RS = Rio Grande do Sul, SC = Santa
Catarina, SP = São Paulo, RJ = Rio de Janeiro, ES =
Espírito Santo, BA= Bahia, PE = Pernambuco, PB = Paraíba,
RN = Rio Grande do Norte, CE = Ceará, PI = Piauí,
FN = arquipélago de Fernando de Noronha.
Fonte: (Fundação Biodiversitas/IBAMA/MMA,
2003). |
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Existem atualmente 7 leis (6 federais e 1 municipal), 10
decretos (5 federais, 4 estaduais e 1 municipal), 13 portarias
(federais), 2 instruções normativas (1 federal e 1 distrital)
e 1 resolução (federal) que visam proteger e
conservar as espécies de cetáceos que ocorrem
em águas brasileiras. Dessas, um total de 19 legislações
foram especialmente criadas para a conservação
dos misticetos e odontocetos. O restante, sem dúvida,
auxilia e a beneficia a conservação dos cetáceos
seja direta ou indiretamente.
A
criação do Grupo de Trabalho Especial de Mamíferos
Aquáticos (GTEMA) em 1994, foi uma clara indicação
que o governo brasileiro finalmente reconheceu que os mamíferos
aquáticos merecem especial atenção.
O GTEMA foi responsável pela elaboração
do primeiro plano de ação publicado em 1997,
objetivando nortear as prioridades de pesquisa e conservação
de mamíferos aquáticos (incluindo cetáceos,
pinípedes, sirênios e mustelídeos). Uma
nova versão do plano de ação atualizada
foi publicada em 2001. O plano de ação vem
a ser um instrumento fundamental da política ambiental
brasileira, um dos mais completos planos de conservação
de fauna silvestre do país. Desde a primeira versão
do plano ocorreram mudanças significativas quanto
ao estudo e a política de conservação
dos cetáceos. Dentre elas, destaca-se a criação
do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação
de Mamíferos Aquáticos CMA/IBAMA, em 1998, que
passou a ser responsável pelo gerenciamento passou a ser
passou a ser responsável pelo gerenciamento de questões
relacionadas aos mamíferos aquáticos.
Embora
os cetáceos estejam protegidos através de legislações,
eles ainda estão sujeitos a uma série de ameaças
tais como degradação e perda do hábitat,
poluição química (oriunda de atividades
industriais e agrícolas), sonora e procedente do lixo
flutuante, atividades petrolíferas e de exploração
de minerais e gás, intenso tráfego de embarcações,
atividade turística desordenada e não regulamentada,
declínio dos estoques pesqueiros (em decorrência
da sobrepesca e da pesca predatória) e captura acidental
em redes de pesca.
Na última
década tem havido uma grande preocupação
quanto ao estado de conservação dos cetáceos
em águas juridiscionais brasileiras, especialmente
com o status das espécies que habitam áreas
costeiras, por sofrerem uma maior pressão antrópica.
Entretanto, até mesmo cetáceos que habitam
regiões oceânicas são vulneráveis
a ameaças pois a medida que a população
humana aumenta amplia-se também o número e
a intensidade das ameaças.
Na nova Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas
de Extinção (Fundação Biodiversitas/IBAMA/MMA), publicada
em maio desse ano, encontram-se incluídas sete espécies de cetáceos,
de acordo com a Tabela 1. A primeira lista (1989) contava apenas com três
espécies (baleia-franca-do-sul, baleia-jubarte e toninha).
A
carência de financiamentos e equipamentos adequados
para a realização das pesquisas, o número
ainda insuficiente de pessoal qualificado e as dificuldades
em monitorar e fiscalizar a extensa área aquática
sob jurisdição nacional são um dos principais
motivos que fazem com que as legislações existentes
falhem em protegê-los adequada e integralmente.
Mesmo
passando por inúmeros problemas o Brasil, sem dúvidas,
vem avançando consideravelmente em suas ações
objetivando a conservação desses magníficos
animais. Dados sobre a distribuição, história
natural, genética, ecologia e outros aspectos de suas
vidas estão mudando a cada momento e novas informações
estão aparecendo reunindo um considerável acervo
de conhecimento.
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Os cientistas tem um importante papel na conservação
dos cetáceos pois podem identificar problemas auxiliando
a conservação. O estudo e a conservação
dos cetáceos caminham juntos. Os cientistas tem a obrigação
e devem divulgar os resultados de suas pesquisas para o público
leigo em geral, educando-o para que esse participe e auxilie
na efetiva conservação dos cetáceos.
O
desenvolvimento de campanhas amplas e permanentes de conscientização
e mobilização, por intermédio da mídia,
sobre a importância da preservação ambiental
e do uso sustentável dos recursos naturais tornam-se
imprescindíveis
assim como o desenvolvimento e a implantação
de programas de educação ambiental integrados
as escolas. A educação ambiental deve ser desenvolvida
de forma permanente, embasada em informações
cientificamente corretas, apoiadas em abordagens participativas,
priorizando ações de médio e longo prazo
e o trabalho para formação de agentes multiplicadores. É importante
apoiar iniciativas de educação ambiental propostas
pelas comunidades e a criação de núcleos,
objetivando viabilizar um espaço para a expressão
popular, promoção de discussões, fóruns,
oficinas, exposições e cursos. Torna-se também
essencial o desenvolvimento de projetos interdisciplinares
que tenham por objetivo principal compreender os ecossistemas
e os organismos alvos e gerar propostas de conservação
eticamente coerentes que não excluam o ser humano.
A
conservação dos cetáceos não pode
ser considerada isoladamente dos problemas mais gerais de saúde
ambiental tanto em escala global quanto em escalas locais e
regionais. Assim como um pequeno número de animais reprodutivamente
ativos é necessário para assegurar a persistência
populacional, uma soma mínima de hábitats apropriados é necessário
para fornecer a esses indivíduos fontes suficientes
para os suas necessidades nutricionais, comportamentais e sociais.
Animais e seus hábitats são inseparáveis
e ambos necessitam ser preservados.  |
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Projeto Golfinhos
http://www.paraty.com.br/golfinho.htm
Série “Nossos Primos do Mar” :
Baleias, botos e golfinhos do Brasil
http://www.maniadebicho.com.br
Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira
Ameaçadas de Extinção
http://www.biodiversitas.org.br
Sociedade Latino-Americana de Especialistas em
Mamíferos Aquáticos SOLAMAC.
http://
www.solamac.net |
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Fontes
· IBAMA. 1997. Mamíferos Aquáticos
do Brasil : Plano de Ação. Brasília
: Diretoria de Ecossistemas/ Departamento de Vida Silvestre
(Ed.). 79 p.
· IBAMA. 2001. Mamíferos Aquáticos
do Brasil: Plano de Ação, Versão II.
Brasília: Diretoria de Fauna e dos Recursos Pesqueiros/IBAMA
(Ed.). 96 p.
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação
de Mamíferos Aquáticos CMA/IBAMA. Estrada
do Forte Orange S/Nº. CP 01. Itamaracá Pernambuco,
Brasil. 53900-000. |
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