Phrynops geoffroanus é um quelônio
sul-americano pertencente à Família
Chelidae (Figura 1). Caracteriza-se
pela presença de tubérculos longos e fi
nos na região dorsal do pescoço e por
uma coloração amarela com reticulações
pretas na parte ventral do mesmo. A cabeça
tem um colorido oliváceo, com dois
barbilhões no inferior, os quais são responsáveis
pelo nome popular “cágadode-
barbicha”.
A espécie tem ampla distribuição
geográfica, que se estende da Amazônia
Colombiana até o Rio Grande do Sul (Brasil),
Uruguai e norte da Argentina. Tem
hábitos aquáticos e diurnos, podendo ser
freqüentemente observada exposta ao
sol nas margens dos corpos d’água ou
sobre troncos e pedras emersos, inclusive
em rios severamente poluídos pela
intensa atividade humana.
Estudos sobre a dieta de Phrynops geoffroanus em ambiente natural têm
demonstrado que sua composição
básica é de peixes, sendo também encontrados
no conteúdo estomacal insetos, crustáceos,
moluscos, além de itens de origem vegetal. Há
uma variação na quantidade dos itens de acordo
com as estações do ano e estágio de vida dos
animais. Já em cativeiro, estudos relatam uma
alimentação baseada em peixes e insetos, mas
com pouca aceitação de vegetais, além de carne
bovina moída e ração para cães (MEDEM, 1960;
FACHÍN-TERAN et al., 1995;
MOLINA, 1991).
Diante da escassez de informações sobre
biologia e manejo de quelônios sul-americanos,
especialmente em cativeiro, o objetivo deste
estudo foi comparar o crescimento durante 12
meses de uma ninhada de 12 filhotes de Phrynops geoffroanus mantida no Setor de Répteis do
Zoológico de Sorocaba / SP, submetida a dois
tipos diferentes de dieta: alimentação natural
e alimentação com ração flutuante para répteis
aquáticos ALCON REPTOLIFE ®.
Os dois grupos, cuja composição foi escolhida
aleatoriamente logo após o nascimento,
foram mantidos nas mesmas condições de
manejo, temperatura, umidade, fotoperíodo
e densidade ocupacional. Os dados
biométricos de cada indivíduo foram
tomados mensalmente para posterior
análise.
Os resultados apresentados na Tabela 1
são condizentes com aqueles encontrados na literatura
(GUIX et al., 1989; MOLINA, 1989), assim
como o tamanho alcançado pelos animais dos 2
grupos no período compartilham com a ocorrência
de um tipo de crescimento isométrico, no qual as
diversas medidas monitoradas cresceram proporcionalmente,
desde o nascimento.

Tabela 1: Medidas, em centímetros, de cada grupo ao nascimento
e após 12 meses de experimento (G 1 - Alimentação Natural; G 2
- Ração flutuante para répteis aquáticos ALCON REPTOLIFE ®)

Ao final de 1 ano de experimento, a diferença
entre as médias de todas as medidas dos
Grupos 1 e 2 apresentou-se consideravelmente
significativa, embora ainda não constatada estatisticamente.
O Gráfico 1 mostra a evolução do
comprimento da carapaça ao longo do período
analisado neste trabalho.

Gráfico 1: Evolução do comprimento da carapaça para cada grupo
ao longo dos 12 meses de experimento (Grupo 1 - Alimentação
natural; Grupo 2 - Ração Flutuante para Répteis Aquáticos ALCON
REPTOLIFE ®.
Embora todos os animais tenham apresentado
aumento contínuo nos dados biométricos
durante o experimento, houve óbitos nos dois grupos.
No grupo alimentado naturalmente, 2 animais
morreram com 7 meses de vida, durante a estação
seca, quando as temperaturas são mais baixas e
os animais ingerem menos alimento. Nesses casos,
de acordo com COWAN (1980) em seus estudos
com répteis cativos, a energia despendida
por um animal para manter as atividades
vitais em equilíbrio pode ser
maior que a ingerida pela dieta.
Já no grupo alimentado com
ração ALCON REPTOLIFE ®, houve
um registro de óbito, logo no quarto
mês de vida do filhote, durante
a estação chuvosa, de temperaturas
mais altas. Esse acontecimento
pode estar relacionado à aceitação relativa
do alimento comercial ou a competição intraespecífica
por alimento dentro do grupo.
A carne de peixe apresenta segundo FRANCO
(1996), valores protéicos inadequados aos
répteis quando administrada isoladamente e diversos
estudos de MOLINA (1989; 1991; 1997)
com quelônios apontam dificuldades na manutenção
de filhotes de Phrynops geoffroanus com
uma dieta constituída por ração para
cães. O balanço de cálcio e fósforo é
equivalente ao necessário para répteis
(FRYE, 1973), contudo, o nível de proteína
animal nas rações caninas não
é adequado para filhotes de quelônios
(MOLINA, 1989).
Deste modo, a análise das dietas
aqui propostas e contrapostas aos
dados de literatura, mostra que durante
o primeiro ano de vida de Phrynopsgeoffroanus, a dieta composta por ração
flutuante para répteis aquáticos
(Grupo 2) mostrou-se mais adequada,
frente ao crescimento e sobrevivência
dos animais em cativeiro.